segunda-feira, 25 de julho de 2011

A saudades que mais dói

Trancar o dedo numa porta dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica. Mas, o que mais dói é saudade.

Saudade da casa onde vivemos. Saudade de uma amiga da infância. Saudade de um cheiro. Saudade dos avós que moram longe. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando eu tinha mais disposição e menos responsabilidades. Essas saudades doem. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, da voz, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar aqui e ele lá, sem se verem, mas sabiam que estavam lá. Você podia ir pra faculdade e ele trabalhar, mas sabiam onde estavam. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabia que a noite chegará logo e estariam lá. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua surfando. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ele foi na consulta que marcou. Não saber se ele tem almoçado no mc, se ela tem assistido as aulas, se ainda entrar na Internet, se ele dormindo tanto, se ele continua preferindo coca cola, se ele continua sorrindo, se ele continua sendo insuportável, se ele continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ele está feliz, se ele está mais magro, se ele já não pensa mais. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

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