Deixei de escrever. Simplesmente parei. A vontade se foi, assim como a inspiração e tudo que eu tinha por dizer. Eu sei que esse dia chegaria, tentei protelar, atrasar, disfarça, mas não deu. Não consigo. Mas, insisto. Deixar de tentar é trágico, drástico e desnecessário. É a ultima opção. Então, estou aqui. Aguardei o dia que poderia dizer enfaticamente: “Já me sinto feliz de novamente”. Não espera que fosse tão logo (mentira! Parece que demorou séculos). Tirei meu luto, coloquei meu melhor vestido. Já estou pronta. Claro que não como antes, parte de mim nunca mais será a mesma, às vezes parece que nem existe/existiu. Aprendi a lhe dar isso. Aprendi a amar o que nasceu daquele chão outrora destruído. Das lágrimas, flores. Da dor, sorrisos. Da tristeza, perseverança. Das incertezas, confiança. Mudei pra me adaptar, fiz das minhas ações virtudes. Deixei muito pra trás, tudo que não servia. Tudo que me prendia, me cansava. E hoje, agora, parece tão distante de mim. E a sensação de alivio e desapego me toma por inteira. Não há espaço pra quem fui, para as crenças, sonhos que sonhei. Sonhei, e não a melhor maneira de descrever essa fase. Tão irreal, inconsistente, inatingível. Não há outra explicação senão: “Dormia profundamente”. E acorda é a melhor coisa do mundo. Sair da cama e se acomodar aonde o sol bate. Se aquecer pra vida e meter a cara em tudo de bom que ela tem a oferecer. Quanto a escrever? Vou continuar tentando. Não posso acreditar que escrever só signifique “fazer mal”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário